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Plano para 2026: “Vou resolver de vez minha insegurança e ansiedade! Vou começar a terapia"



Todo fim de ano, a vida vira quase um mural de resoluções silenciosas. Ninguém escreve, mas muita gente pensa:


“Ano que vem eu me organizo melhor.”

“Vou ficar menos ansioso.”

“Preciso cuidar mais de mim.”


Entre metas, planejamentos estratégicos e promessas de alta performance, a saúde emocional costuma entrar como um item secundário; importante, mas sempre adiado.


Promessa de fim de ano ou decisão real?


Existe uma diferença grande entre a motivação típica de virada de ano e a decisão de mudar algo de verdade. A motivação diz: “Em janeiro eu resolvo.” A decisão diz: “Vou encarar o que está me travando, mesmo sem garantias.”


No consultório, vejo muitos profissionais altamente competentes, com currículo sólido e carreira consistente, dizendo:


“Por fora está tudo certo. Por dentro, não.”


Ansiedade constante, dificuldade de desligar, sensação de estar sempre devendo algo, medo de errar, de perder espaço ou de não dar conta, nada disso aparece, mas atravessa silenciosamente muita gente.


O que sustenta um processo terapêutico (especialmente para quem vive sob pressão)


Ao longo do tempo, fui percebendo que a terapia só funciona quando alguns fatores se combinam. Não basta “querer fazer”.


Ela precisa de três pilares bem claros:


1. Vontade e coragem para enfrentar o que precisa ser dito  e escutado. Nem sempre é confortável.

2. Acolhimento e empatia na relação com o terapeuta. Sem isso, vira mais uma reunião tensa da semana.

3. Condições financeiras para sustentar o processo sem transformar o cuidado em mais uma cobrança interna.


Quando esses pontos se alinham, o trabalho começa a fazer sentido.


Uma história comum (talvez mais comum do que parece)


Recentemente, um profissional chegou dizendo algo muito frequente: “Não estou em crise. Só não consigo mais relaxar.” Ele funcionava bem. Entregava. Era reconhecido. Mas vivia com uma angústia constante, difícil de explicar, que não desligava nem nos fins de semana.


No início, buscava uma solução prática, quase como um método de produtividade emocional.


A terapia não ofereceu isso.


O que o processo ofereceu foi algo mais profundo: entender de onde vinha essa tensão permanente, quais exigências internas estavam sendo reproduzidas automaticamente e por que descansar parecia sempre uma culpa.


E o que a terapia não prometeu? Que o mercado ficaria mais fácil. Que a pressão desapareceria. Que a ansiedade nunca mais apareceria.O que mudou foi a relação dele com tudo isso. Menos agressões. Mais clareza. Mais escolha.


A terapia oferece:


• Consciência emocional em ambientes exigentes

• Um espaço para elaborar o que não cabe em reuniões, metas e indicadores

• Um jeito mais saudável de sustentar carreira, identidade e desejo


Ela não promete:

• Eliminar o medo

• Acelerar decisões

• Criar uma versão “blindada” de você


E talvez seja exatamente por isso que funcione.


Um convite honesto para 2026


Se começar terapia em 2026 for apenas mais uma promessa de virada de ano, ela provavelmente vai se perder entre reuniões, prazos e urgências.


Mas, se for uma decisão, mesmo com dúvidas, receios e resistência,  pode ser um dos passos mais importantes para atravessar o próximo ano com menos angústia, menos ansiedade e mais consciência do seu tempo e do seu desejo. Não para produzir mais. Mas para se abandonar menos.


Talvez o verdadeiro plano para 2026 não seja fazer mais. Talvez seja se escutar melhor.


Se a ideia de “resolver de vez” a insegurança e a ansiedade para 2026 aparece como um desejo, talvez valha escutá-la com mais cuidado. Não como uma meta rígida ou uma promessa de mudança imediata, mas como um sinal de que algo pede atenção. Iniciar a terapia pode ser menos sobre consertar quem você é e mais sobre criar um espaço de escuta, onde aquilo que pesa, cansa ou confunde possa finalmente ganhar palavras e sentido. Às vezes, o plano mais consistente não é virar a página, mas começar a lê-la com mais presença e menos exigência.


Se fizer sentido para você, fique à vontade para entrar em contato pelos canais disponíveis no site e conhecer o atendimento individual online, assim como as linhas de cuidado voltadas à ansiedade, ao estresse e às inseguranças que atravessam a vida pessoal, relacional e profissional.


Sobre o autor


Julio Cesar Picelli é psicanalista clínico, com trajetória anterior como gestor e líder em ambientes corporativos e de tecnologia. Atua no atendimento de adultos que vivem ansiedade, esgotamento, insegurança profissional e crises ligadas ao trabalho, desempenho e identidade.


 
 
 

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