Sete Passos de Reflexão: por que cuidar da saúde mental é um ato de coragem na vida contemporânea
- Julio Cesar Picelli
- 24 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Vivemos em um tempo em que o trabalho ocupa não apenas nossas horas, mas também nosso imaginário. Somos instados a performar, entregar resultados e corresponder a expectativas que, muitas vezes, não dialogam com nossos desejos mais íntimos. Nesse cenário, surge uma pergunta incômoda: estamos trabalhando por prazer e realização, ou apenas porque a sociedade, a cultura e as empresas exigem?
O sociólogo Zygmunt Bauman já apontava que vivemos em uma “modernidade líquida”, em que nada parece estável e o indivíduo é constantemente pressionado a se adaptar. Essa liquidez, no ambiente corporativo, transforma prazer em obrigação e sentido em cobrança.
A consequência é visível: altos índices de ansiedade, estresse e esgotamento.
Mas o que fazer diante desse quadro?
O primeiro passo é o mais difícil: parar. Parar para escutar a si mesmo, para reconhecer que o sofrimento psíquico não é sinal de fraqueza, mas um alerta. Como nos ensinou Freud, o sintoma é uma forma de expressão do inconsciente, ele fala quando não conseguimos mais sustentar o silêncio.
No meu e-book Sete Passos de Reflexão, proponho justamente essa pausa. Uma oportunidade de olhar para dentro, de perceber como pequenos gestos de escuta, autocuidado e diálogo podem se transformar em sementes de mudança. Refletir não é um luxo, é um recurso vital.
Na lógica contemporânea do trabalho, onde a produtividade é exaltada acima do bem-estar, esse movimento de auto escuta é quase um ato de resistência. É resgatar a humanidade que, muitas vezes, fica soterrada sob metas, prazos e algoritmos. É permitir-se compreender a diferença entre trabalhar porque isso dá sentido à vida e trabalhar apenas porque é uma exigência externa.
Aqui, a escuta ocupa um lugar fundamental. Escutar-se, sim, mas também abrir-se à escuta profissional. Lacan nos lembra que o inconsciente é estruturado como uma linguagem e precisa ser dito, partilhado, ouvido. A terapia oferece esse espaço singular: um lugar onde o sujeito pode existir em sua verdade, sem a censura das exigências sociais.
Refletir, nesse sentido, é também cuidar. É reconhecer limites, valorizar a diversidade de experiências e criar redes de apoio. É compreender que ninguém precisa carregar sozinho o peso de ser forte o tempo todo.
Se este artigo ressoar em você, convido a conhecer o e-book Sete Passos de Reflexão. Mais do que um guia, ele é um convite para que possamos transformar silêncio em diálogo, dor em cuidado e pressões em novas formas de viver.
O e-book se encontra disponível gratuitamente neste site.
Cuidar da saúde mental e emocional não é apenas importante. É vital.
Julio Cesar Picelli
Psicanalista clínico | Palestrante | Autor do e-book Sete Passos de Reflexão





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