A Roda da Fortuna
- Julio Cesar Picelli
- 24 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Sempre me impressionou a força simbólica de Carmina Burana, de Carl Orff. A obra abre e encerra com “O Fortuna”, um coro imponente que retrata a roda da vida girando sem pedir licença, colocando-nos ora no topo, ora na base.
A Roda da Fortuna é, ao mesmo tempo, promessa e ameaça. Ela nos lembra que o destino pode virar em segundos — uma verdade que também marcou minha própria jornada profissional.
Por mais de 30 anos, estive no mundo da gestão de tecnologia. Experimentei o topo da roda: projetos desafiadores, posições de liderança, conquistas. Mas também senti o peso de vê-la girar — quando o mercado mudou, quando o etarismo bateu à porta, quando precisei reinventar a forma de estar no mundo do trabalho.
Foi nesse movimento, que à primeira vista parecia uma queda, que encontrei meu maior ponto de virada. A psicanálise entrou na minha vida não como um plano calculado, mas como resposta ao destino. A roda girou, e eu descobri outro caminho: o de escutar, compreender, e ajudar outros a enfrentarem as próprias instabilidades da sorte e do desejo.
Hoje, olhando para trás, percebo que a roda nunca foi inimiga. Foi mestra. Ela me mostrou que perder um lugar pode significar ganhar um novo sentido; que estar embaixo pode ser o impulso para recomeçar; que o destino, quando acolhido, pode revelar singularidades que antes estavam escondidas.
Na minha trajetória, aprendi que o verdadeiro desafio não é impedir a roda de girar — isso é impossível — mas aprender a se reinventar a cada volta.
E você, como tem encarado as voltas da sua roda da fortuna?
Julio Cesar Picelli
Psicanalista Clínico | Ex-Gestor de Tecnologia | Escritor e Palestrante sobre Psicanálise, Trabalho e Sociedade





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